quinta-feira, agosto 26, 2004

Questionamento

De que adianta gritar,
Se ninguem ouvirá?
De que adianta ler pensamentos,
Se ninguem lerá os meus?
Quem se importará quando souber
Que meus olhos sangram e
Que em minhas veias correm lágrimas?

Não adianta repetir,
Pois só serão novas palavras
A não serem ouvidas.

Aqui as paredes são de gelo,
O chão cospe fogo,
A cama é de espinhos.
Não há saida:
As portas e janelas estão lacradas.
Minhas pernas estão podres
Minhas mãos calejadas.

Não adianta repetir,
Pois só serão novas palavras
A não serem ouvidas.

(20/08/2004)
Outra brincadeira com os ultra-românticos:

Era alta noite. Jônatas saira
Buscava frescor - enfebrecido.
Maldizia, no tédio, a negra vida:
As ilusões que ele sentirá!
Franzindo a testa, mórbido, abatido...
Blasfemando sobre o Amor e o Destino!

Impressões de TV

Sentada, apenas observo:

Muita luz
Muitas cores

Vozes e músicas mescladas a imagens animadas
Com um discreto e constante zumbido

Bons dias, boas noites
Chamadas do programa de amanhã
Pessoas de mentira me vendendo batata-frita

Enquanto minha criança matuta:
- Como todo esse mundo cabe dentro de uma caixa de brinquedo?

Impressões de uma noite

Noite morta
Abafamento
Apenas barulho de automóveis,
Ventiladores.

Retratos,
Rostos sempre sorrindo
Sorriso que já perdeu a graça.
Empoeirou.

Sapatos espalhados
Meias jogadas no chão
Muitos papéis com anotações:
Telefones, recados...

Às vezes passarinhos cantam
Luzes piscam,
Varandas acendem e apagam
"montanhas de gente"

Até os cachorros latem.

Demônios

Apenas demônios atordoando minha noite:
Eles sempre estão aqui
Achava q eles se escondiam de baixo da cama,
Mas eles me perseguem...
E quando chega a noite
Sempre me pegam e puxam o meu pé.

Demônios rondam minha noite
Tento esquecê-los em alguma bebida ou num canto qualquer
Mas eles sempre chegam e me fazem ter medo de dormir
Sussurram lamúrias... e tapam meu nariz.

Desejo

Desejo?!
Nada de desejos por hoje
Nada de vontades estúpidas carnais.

Poderia querer um beijo
Envolvê-lo com minhas pernas
Segurar sua cabeça contra meus seios...

Mas não, nada de desejos.

Sonhos frustrados. Almas roubadas.
Promessas traídas.
Falta de amor...
Proprio?! Carnal?! Materno?!

(...)

-Será q ele vem?

Banalidade

Me pego novamente pensando em cicuta

ojeriza-me a vida

Lambo paredes
Rastejo em terra fofa

Sucumbo.

Não tenho medo de baratas
Nem tenho planos para o futuro

Disfarço minhas crenças,
Pego um atalho banal

Medo de dormir

Medo de dormir
Embebedando-se de pensamentos sem lógica alguma,
Até não ver e ouvir nada...
Quem estará olhando (orando) para mim?

Teorias e fantasias excretadas,
Fétidas!
Podres de tão mal cultivadas nas entranhas de um qualquer
"Isso é meu!"

Não adianta chorar,
Não adianta gritar,
Não adiantar sangrar.
Choro,
Grito,
Sangro.
"Nada aconteceu, meu bem!"

Escondo-me atrás daquela porta:
Ninguém vê
Eu não me vejo.
E me perco ali...
Naquela rua.
Olhos profanos
Amor vil!
A cada palavra um escárnio.

Seu gosto? O do vinho mais acre!
Seu perfume? O da mais fétida rosa!

Vem como anjo,
Parte como diabo!

-Oh, Triste lembrança de ter me deitado em seus braços!


(Essas coisas sempre saem depois de ler algum ultra-romantico rsss!)